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Cidades Empreendedoras – Endeavor 2016

Cidades Empreendedoras – Endeavor 2016

Como anda o empreendedorismo nas cidades do Brasil?

Descubra quais são as melhores cidades do país para empreender e os caminhos que os novos prefeitos podem tomar para melhorar as suas cidades para os empreendedores

Entre as 10 melhores cidades do estudo, seis estão no interior, sendo cinco no Estado de São Paulo. Essas são algumas das descobertas do Índice de Cidades Empreendedoras, criado pela Endeavor e que ganha, neste ano, a sua terceira edição.

O BRASIL ESTÁ VIVENDO UMA DAS PIORES CRISES DA SUA HISTÓRIA E É ESSE CENÁRIO QUE OS NOVOS PREFEITOS, DOS MAIS DE 5.500 MUNICÍPIOS DO PAÍS, VÃO TER QUE ENCARAR A PARTIR DO MÊS DE JANEIRO.

Principais destaques

Na edição 2016 do Índice de Cidades Empreendedoras, a cidade de São Paulo conseguiu abrir vantagem sobre Florianópolis, a segunda colocada. A capital paulista obteve, pelo segundo ano consecutivo, a liderança do ICE e, pela primeira vez, todas as cinco cidades do estado no estudo aparecem entre as 10 melhores no ranking geral. As cidades do interior paulista apresentam os resultados mais consistentes em diferentes pilares, ao mesmo tempo em que possuem custos relativamente mais baixos que diversas capitais. Especialmente por ser o centro financeiro do país e ter o maior mercado consumidor, São Paulo continua sendo extremamente atraente aos empreendedores de alto impacto. Uma realidade cada vez mais de todo o Estado.

A CRISE ATINGE OS EMPREENDEDORES – PARA O BEM E O MAL

O empreendedorismo, como era de se esperar, não sai ileso da crise. Além da recessão econômica, que fez o crescimento médio do PIB nas cidades da pesquisa desacelerar  de 3,9% no triênio 2010-2012 para 2,4% entre 2011 e 2013, outros efeitos são visíveis. É o caso dos recursos financeiros, com queda na poupança per capita, nos empréstimos e nos investimentos de Private Equity, com redução de 23%. Diversos parques tecnológicos ainda não saíram do papel, e a educação também foi afetada, com queda inédita na proporção de alunos no ensino médio (2,2%) e fechamento de vagas no ensino técnico por todo país. No entanto, sempre há o lado cheio do copo: empresas exportadoras cresceram em 7% e, apesar de o total de empresas também ter diminuído, os setores de TICs e da Economia Criativa tiveram crescimento de cerca de 14%. Ou seja, quem conseguiu inovar mais e buscar o mercado externo pode estar saindo da crise melhor do que entrou.

O INTERIOR AINDA MAIS FORTE

No ICE 2015, cidades como Campinas, São José dos Campos e Joinville já apareciam entre as dez melhores. Neste ano, o interior se destaca ainda mais. Campinas é a terceira melhor, e Joinville subiu cinco posições, alcançando o quarto posto. São José aparece em sexto, e além das três, entre as 10 melhores aparecem também Sorocaba, Maringá e Ribeirão Preto. Mais uma vez, é notável a qualidade de vida e os custos mais baixos, com níveis também avançados de capital humano e inovação. Se há um descolamento maior da líder São Paulo, é inegável que o interior do Sul e Sudeste aparece cada vez mais forte.

GRANDES CAPITAIS, GRANDES PERDAS

Enquanto a capital paulista domina o ICE pelo segundo ano consecutivo, o Rio de Janeiro (14ª), Curitiba (15ª) e Recife (18ª) perderam, respectivamente, 4, 7 e 14 posições em relação ao estudo anterior. Os empreendedores cariocas penam com seu péssimo ambiente regulatório, aparecendo na última posição do pilar, e apresenta condições internas complexas, com custos altos e a pior mobilidade urbana do estudo.  Por sua vez, a capital pernambucana fechou 26 mil vagas no ensino técnico, e as compras públicas municipais caíram 25%, além dos problemas no trânsito que colocaram Recife na 29ª posição do indicador.

No Paraná, capital atrás de Maringá, além da cultura empreendedora mais favorável no interior, Curitiba também tem impostos mais altos — só está à frente do Rio em Ambiente Regulatório — e teve o maior recuo na oferta de crédito. São capitais com grandes mercados consumidores, mas precisarão fazer mais para se tornarem polos do empreendedorismo e competir com São Paulo.

CORRENDO ATRÁS PARA MELHORAR A HISTÓRIA

Fora do eixo Sul-Sudeste, as condições para empreender ainda tem muito a melhorar, e não é de agora. As melhores cidades do Centro-Oeste, Nordeste e Norte brasileiro são Brasília (16ª), Recife (18ª) e Belém (apenas a 26ª melhor). Para que isso aconteça, é preciso olhar melhorias que podem ocorrer a curto-prazo, como diminuir a burocracia; mas os grandes gargalos dessas cidades são questões estruturais. A educação poderia seguir o exemplo de Teresina e Fortaleza, cidade que vêm avançando consistentemente, como é necessário. Já Recife e Manaus, também atrás do seu potencial, dado o famoso Porto Digital e a Zona Franca manauara, podem inspirar as demais cidades a serem mais inovadoras. Capital humano e inovação são déficits históricos da região, e não há mais tempo a perder.

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